Uma vida feliz pode não ter valor algum. Este é um julgamento que podemos fazer externamente. Eu posso, de fora, olhar a vida de outra pessoa, reconhecer uma certa abundância de felicidade, de bem-estar, mas negar valor a esta vida, negar que seja uma vida louvável de ser vivida, o que não implica que não seja aceitável que seja vivida. Poderia alguém, no entanto, fazer o mesmo julgamento a respeito da sua própria vida? Acho que não. Pode realmente alguém reconhecer a sua vida como, no geral, feliz sem reconhecer, ao mesmo tempo, que ela tenha valor? Mesmo alguém que tenha muitos prazeres, mais prazeres que sofrimentos, se esta pessoa não vê o viver desses prazeres como algo louvável de ser vivido, ele não reconhecerá a sua vida como uma vida feliz. Ele necessariamente sentirá uma falta ou ausência que o afasta da vida feliz. A incógnita que carregamos em nossos corações é que não temos por certo esse ponto arquimediano a partir do qual poderíamos julgar o valor de nossas vidas. Gos...
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