Quando acaba a esperança, nos transformamos em bestas. Nesta condição, o ser humano deixa de planejar, o futuro não mais lhe interessa. Suas decisões passam a se basear apenas nos desejos imediatos. Sua racionalidade estratégia permanece, mas ela só é empregada para a obtenção de fins de curto prazo. Não ter esperança implica que cada instante seja percebido como a totalidade do tempo. O sujeito se fragmenta. Vira besta, amoral do seu ponto de vista, imoral, do nosso.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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