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A conclusão, discutida em [3] e [4] , de que as pessoas, em geral, não pensam logicamente é muito forçada. Ainda mais se "logicamente" é tomada na acepção de "ser racional". A racionalidade não se resume à capacidade de fazer inferências. Mais importante que o próprio ato de inferir é a realização de inferências adequadas à situação em que o indivíduo se encontra. Ou seja, não é suficiente, para um comportamento racional, que a inferência seja formalmente correta, é necessário também que ela seja relevante. Em alguns casos, a relevância pode ser um indício maior de racionalidade que a correção formal da inferência.

A consideração da relevância nos permite perceber que raciocínios da forma

Se A, então B
B
----------------
Logo A.

embora constituam falácias do ponto de vista formal, não devem ser encarados como encarnando um comportamento ilógico ou irracional, em situações cotidianas, contextualizadas. Como comentei em 3, a falácia acima pode ser razoavelmente explicada por uma psicologia humeana.

No que diz respeito ao quão racional é o uso de inferências da forma acima, creio que podemos dizer o seguinte: Seja S, um sujeito qualquer. S, ao empregar uma inferência da forma acima, é mais ou menos racional conforme S esteja mais ou menos justificado em crer que o fato enunciado pelo antecedente, A, esteja relacionado causalmente com o fato enunciado pelo conseqüente, B. É importante notar a relevância da justificação ou do conhecimento que S tem sobre a referida relação causal. Se S não sabe ou não tem razão para crer que A esteja causalmente relacionada com B, mesmo que esteja realmente, S, em princípio, não age racionalmente se incorre num raciocínio da forma acima.

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