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Tropos de Agrippa, receita de bolo para minar pretensões alheias de conhecimento.

1. Tropo da discrepância -> Sobre qualquer assunto, sempre se pode discordar. Se A diz p, sempre haverá um B que diga não-p.

2. Tropo da relatividade -> relativização das afirmações a um ponto de referência. p é verdadiero para você. p é verdadeiro na sua cultura etc.

Estes dois tropos colocam em questão a verdade da afirmação do nosso interlocutor, obrigando-o a fornecer justificativas ulteriores para a verdade do que diz. É isso que o cético quer. Os próximos tropos visam mostrar que a busca por estas justificativas está fadada ao insucesso.

3.Tropo da infinidade -> para cada justificação, o interlocutor é convidado a dar uma justificação para esta justificação e assim ad infinitum.

4.Tropo da Assunção-> Em algum lugar na série de justificações, o interlocutor se abstém dogmaticamente de fornecer novas justificações. Ele faz uma assunção, toma, sem menos, uma opinião como verdadeira.

5.Tropo da Circularidade -> Em algum lugar na série de justificações, o interlocutor fornece uma justificação que foi citada anteriormente na série, usando assim, para justificar, algo que ainda está em chque.

Em qualquer uma das três situações, a justificativa fornecida falha em fornecer garantias para a verdade da afirmação original.

Os tropos de Agrippa nos fornecem uma paisagem para as teorias epistemológicas. Fundacionistas atacam o Tropo da Assunção, tentando nos convencer de que haja algumas afirmações evidentes, ou auto-justificadas, não carecendo, assim, de justificações ulteriores. Geralmente, são convidadas para esta categoria de afirmações as proposições da lógica e da matemática, no caso dos racionalistas, e as proposições empíricas mais básicas, no caso dos empiristas. Coerentistas atacam o Tropo da Circularidade, argumentando que o suporte mútuo das afirmações não é vicioso e ainda maximiza os poderes de compreensão e explicação do sistema de crenças. Fundacionistas e coerentistas podem atacar o Tropo da Infinidade, argumentando talvez que se houver boas razões para pensar que a série infinita de justificações não se quebra em algum ponto, então ela não é viciosa e pode sim justificar a afirmação original. A dificuldade desta estratégia está em nos convencer de que temos essas boas razões.

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