Se assumo como dado aquilo que aparece diretamente à consciência, então proposições podem ser dadas. Algumas crenças são formadas sem um processo de reflexão ou inferência consciente, são automáticas, são formadas por mecanismos sub-pessoais. Pode-se dizer que a experiência traz à consciência uma determinada crença. Algumas memórias também são dadas. Elas simplesmente aparecem, embora outras possam ser evocadas por um processo que demanda concentração e atenção. Mas, ainda assim não seriam dadas, no momento em que surgem? Mas o essencial do dado não é ele simplesmente ser dado, mas ser dado com uma determinada força, é ele aparecer ao sujeito impondo o seu conteúdo. O sujeito não se sente confortável em questioná-lo. Isso elimina boa parte das memórias e a maiora das crenças. E uma experiência é sempre mais dada que qualquer crença.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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