Quem é mais livre, aquele que se deixa levar pelas suas paixões ignorando os seus imperativos morais ou aquele que as enfrenta para seguir os ditames da razão? Os gritos de Nietzsche contra o espírito apolínio nos atordoa. Não é ele um grilhão, uma prisão para os impulsos criativos? Por outro lado, não é menos verdadeiro dizer que somos escravos das nossas emoções. O arrependimento ilustra bem isso. A sua força é proporcional à intensidade da paixão que causou a ação desditosa. Quem devemos libertar, a vontade ou a paixão? Essa tensão é a base da esquizofrenia humana.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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