Na primeira meditação, Descartes afirma que a sua razão lhe diz para se abster de dar o seu assentimento não só a opiniões que sejam obviamente falsas, mas também a opiniões que não sejam completamente certas e indubitáveis. O corolário dessa afirmação é que, se você tem uma razão para duvidar de uma opinião, então está justificado em rejeitá-la. No entanto, Descartes não nos dá nenhuma razão para a sua afirmação inicial. Não é claro que devamos rejeitar uma opinião que não seja completamente certa. De onde provém a justificativa para este dever? Um motivo seria evitar o engano. Embora, por razões práticas, seja vantajoso evitar o engano, não é, ao mesmo tempo, vantajoso evitá-lo pelo preço de rejeitar todas as crenças incertas. Mas há razões teóricas para se evitar o engano. Se o seu objetivo é descobrir quais das suas opiniões são verdadeiras, então deve evitar o engano e, assim, rejeitar tudo que não for completamente certo. O que temos aqui é um raciocínio instrumental de adequação de meios a fins. Se a finalidade é obter a verdade, então o meio é evitar o engano. Mas há um certo exagero aqui. Embora evitar o engano seja um meio para obter a verdade, não é claro que ele seja o único meio. Descartes talvez dissesse que é o único meio que garante a obtenção da verdade, enquanto outros meios pudessem obtê-la sem dar a garantia de que realmente a obtiveram. Se assim for, então não podemos dizer que a finalidade de obter a verdade isoladamente justifica o dever de se evitar o engano. Precisamos encorpar essa finalidade para que ela suporte a afirmação inicial de Descartes. Precisamos dizer que a finalidade é obter a verdade garantidamente, com absoluta certeza. Mas, então, fica evidente que o dever de só aceitar o que é completamente certo já está embutido na finalidade e, assim, esta não serve para justificar aquele.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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