Essa busca desinteressada pela verdad tem lá as suas raízes psíquicas. Tratamento frio e imparcial do objeto de estudo, por maior que seja o seu furor em conhecê-lo. Pretensão de que o seu afeto pelo objeto não interfira no seu conhecimento do mesmo. Mas por que diabos preciso subtrair a minha subjetividade para adquirir um "conhecimento" do objeto. O modo como ele me afeta não pode ser uma via de acesso ao próprio objeto, a uma dimensão sua tão essencial quanto qualquer outra? A predominância da objetividade fria e distante tem uma base factual, social: a hegemonia extrovertida. É fato que os extrovertidos são maioria e que os objetos lhe afetam menos emotivamente. Isto é, a relação que eles têm com o mundo é pouco ou quase nada emotiva. Sua biologia é de tal forma constituída que lhes possibilita conhecer quase nada emotivamente. A emoção, como via de acesso a uma dimensão do mundo, é, para eles, embotada, embaçada. Para o introverso, ao contrário, essa via é tão transparente que não é incomum cegar-se com o excesso de realidade. Na justa medida, eles apreendem uma dimensão afectiva do objeto, seu colorido fenomênico e existencial. Se fôssemos realmente contextualizar o conhecimento, então a busca interesseada e emotiva da verdade deveria ter tanta legitimidade, para conhecedores-emotivos, quanto a busca desinteressada para conhecedores sem ou de pouca sensibilidade.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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