Quando alguém diz algo, duas coisas, no mínimo, estão envolvidas: aquilo que foi dito e o ato de dizer algo. Em se tratando de asserções, o que foi dito, supondo a bivalência, é verdadeiro ou falso. O ato de dizer não é verdadeiro, nem falso, é uma ação e, como tal, produz um efeito sobre o interlocutor. Ter ciência desse efeito tem relevância prática para a boa condução de uma discussão. Dizer para o seu interlocutor que ele é burro, quando de fato ele é burro, o que geralmente pode ser contestado, haja visto a vagueza deste predicado, pode ser uma constatação, se for verdade, mas é uma constatação que evoca reações que minam o debate. Em geral, só um tolo vai chamar outro de burro em um debate.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
Comentários
neste caso o "ato de dizer algo" deveria ter sido suprimido em sua ação, segundo teu raciocínio. Quando se suprime aquilo que se ia dizer temos então mais um algo envolvido, como chamaria a isto sem que o nomeasse como "pensamento"?
beijo beijo
Diria que o pensamento é o algo que eu posso ou não dizer. Posso suprimir a ação de dizer algo, mas se suprimir esse algo, não me parece que irá restar alguma coisa. Um pensamento vazio sem conteúdo?