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[170] A premissa de que a natureza é uniforme não tem serventia

Alguns filósofos sustentaram que a assunção do princípio da uniformidade da natureza é necessária para validar ou justificar a indução. Assim, uma inferência como:

(A)
Todos os corvos examinados até n são negros.
:. Todos os corvos são negros.

poderia ser validada pelo acréscimo da referida premissa:

(B)
A natureza é uniforme
Todos os corvos examinados até n são negros.
:. Todos os corvos são negros.

O problema óbvio desta estratégia é que a observação de um corvo não-negro em n+1 falsearia a premissa de que a natureza é uniforme, se achamos que a introdução desta nova premissa transforma a indução numa dedução. Sim, pois se o argumento é dedutivo e a conclusão é falsa, então pelo menos uma premissa também é falsa. Se não transforma, então não é exatamente claro que papel a premissa cumpre no argumento indutivo.

Se o enunciado de que a natureza é uniforme nos informa apenas que as regularidades não-acidentais persistem uniformes, ele diz muito pouco, absolutamente nada que aumentaria o suporte indutivo para a conclusão. Nestes termos, ele é geral demais e pouco informativo sobre quais regularidades são não-acidentais. Em especial, ele não diz nada sobre se a regularidade Todos os corvos são negros é acidental ou não e, assim, não tem como ele apoiar a inferência indutiva. Se o refinássemos para informar se uma regularidade em especial é não-acidental, i.e. a de que corvos são negros, acabaríamos colapsando o princípio da uniformidade em um enunciado do tipo da segunda premissa do argumento, i.e. Todos os corvos examinados até n são negros. Também neste caso, não teríamos nenhuma informação nova para aumentar o suporte indutivo para a conclusão.

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Leituras:

Ayer, J. Evidence and Probability. Columbia University Press, 1972.

[167] Argumentos indutivos são irredutíveis a argumentos dedutivos

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