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Mostrando postagens de Janeiro, 2008

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No Crepúsculo dos Ìdolos, aforismo 31, Nietzsche compara o humilde ao verme. Ele nos lembra que este se encolhe quando infligido para que assim evite um segundo safanão, esta é a sua astúcia. Depois afirma que o correlato deste comportamento na moral é a humildade. De fato, a humildade contém uma retração, uma contenção, uma castração da vontade de afirmar. O humilde fala pouco, arrisca pouco, erra pouco, apanha menos, mas também conquista menos. Mas talvez possamos aqui distinguir a humildade parcimoniosa da humildade medrosa. A primeira se baseia na prudência, o sujeito se retém por razões que ele julga sensatas. Ele se cala não para evitar a violência, mas por perceber que a probabilidade de erro é alta. É verdade que, em última instância, ele se retém para evitar o safanão, mas a violência aqui é precificada, estimada, não se trata de um medo irrefletido. Ele pondera o preço desta violência e avalia o risco de ter de vir a pagá-lo. Só então decide, enfim, é prudente. A segunda hum…