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Mostrando postagens de Março, 2008

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Costumo dizer que o desejo é tudo que brota irrefletidamente das emoções e dos instintos mais básicos, ao passo que a vontade é um desejo sedimentado no curso de uma reflexão. A distinção é mesmo borrada, há casos nebulosos de desejo-vontade. De qualquer forma, pode-se enxergar na vontade um desejo sancionado, com intenções de universalidade e objetividade. Outra possibilidade seria dizer que a vontade, por ser fruto da adição de uma reflexão sobre o desejo, teria uma intimidade maior com o sujeito que os seus desejos, isto é, as suas vontades lhe seriam mais essenciais e os desejos mais acidentais. No entanto, é arbitrário dizer que a sanção da razão torna algo mais íntimo do sujeito que as suas emoções e instintos. Ou talvez não seja tão arbitrário assim. Uma possibilidade: a reflexão, por examinar simultaneamente distintas facetas do sujeito, suas inúmeras crenças e atitudes, é capaz de julgar quais desejos estão em maior conformidade com essa sopa confusa que é o sujeito. E o dese…

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A filosofia de boteco, aquela feita sem muita preocupação acadêmica, através do livre pensar, ainda pode mudar a vida de uma pessoa, pode ter um efeito sobre o seu comportamento e até mesmo sobre a sua psicologia, despertando ou retendo emoções. Mas o que muda na vida de uma pessoa ao entrar numa discussão mais técnica sobre indexicais, a natureza conceitual da experiência perceptiva e outras coisas mais obstrusas? Muito pouco ou quase nada. Ou talvez mude, pode ser que aqui o correto fosse pensar que importa mais a filosofia estar adequada à linguagem a qual a pessoa está acostumada, que ela seja inteligível, e um perito em indexicais certamente vai incorporar cada nova informação sobre o assunto ao seu mundo e à sua práxis.