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Mostrando postagens de Agosto, 2008

[93] Liberdade e Compatibilismo

Liberdade negativa ou liberdade da espontaneidade é a capacidade que o indivíduo tem de agir segundo a sua vontade ou desejo (Hobbes, Hume). Na ausência de obstáculos, se o sujeito tem uma vontade, ele é capaz de realizar a ação que satisfaz essa vontade e dizemos que a ação foi livre mesmo que a sua vontade tivesse sido determinada por algum processo causal anterior, provavelmente inconsciente. Esse tipo de liberdade parece ser essencial para a atribuição de responsabilidade. Se não vemos o sujeito como produtor da sua ação, não tendemos a lhe imputar responsabilidade pela ação resultante. Se o braço do indivíduo A é movido por B para atingir C, não diremos que A é responsável pela dor causada em C, já que a ação de bater em C com o seu braço não foi produzida por ele, nem emergiu de alguma vontade sua.

Guardemos essa intuição sobre a atribuição de responsabilidade: o sujeito deve ser o produtor da sua ação, devemos percebê-lo como sendo a causa da sua ação, isto é, ela tem de partir…

[92]

Há um sentido de "Eu compreendo" que se remete não ao significado do que é dito, mas a uma experiência vivida que além de explicar o que é dito, tornando-o inteligível, aproxima também falante e ouvinte por um elo empático. Este elo não pode ser suprimido da compreensão sem perda de inteligibilidade. Não é à toa que presenciamos o surgimento de sentimentos gregários entre pessoas que passaram pelos mesmos sofrimentos. Elas podem dizer umas para as outras com maior autoridade "Eu compreendo". Se queremos compreender alguém, temos que tentar nos aproximar do seu vivido, temos que tentar assimilá-lo a nossa própria vivência.