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Mostrando postagens de Abril, 2008

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A filosofia está em alta nos EUA, por razões utilitaristas, é verdade. Uns adentram no meio para melhorar as suas habilidades argumentativas, outros a escolhem para melhorar suas habilidades de pensamento e escrita, por fim, há ainda aqueles que buscam na filosofia um ar de gravidade existencial que lhes tornará mais promissores na conquista de garotas. A motivação é sempre aprimorar alguma habilidade, seja lá qual for. Não posso ver isso com olhos completamente negativos, os efeitos podem ser bons, ainda que as motivações, em uns casos mais que outros, não sejam tão boas. De qualquer modo, por que haveria eu de achar também que é mais legítimo o sujeito que se move para a filosofia por viver na pele as suas questões e não aquentar em si a inquietude da dúvida? A motivação aqui, embora boa aos meus olhos, não é utilitarista também? O sujeito tem uma falta, um desejo, uma demanda, uma inquietação e busca supri-la pela filosofia (ele pensa que vai supri-la, mas, na verdade, só vai acent…

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Não temos nenhuma métrica para a quantificação do sofrimento, pois sua natureza subjetiva impossibilita ou pelo menos dificulta bastante o estabelecimento de um quantum comum de sofrimento a partir do qual pudéssemos aferir a intensidade do sofrimento de cada indivíduo. Um mesmo estímulo provoca sofrimentos de intensidades distintas em pessoas diferentes. Difícil também saber exatamente o que medir, a reação corpórea e comportamental do indivíduo sofredor ou o impacto que a experiência do sofrimento tem na sua existência. A segunda opção obsta ainda mais uma métrica, pois adentra no terreno dos significados.

Ainda assim, somos capazes de avaliar intuitivamente o sofrimento. Cada qual se usa como métrica para estimar o sofrimento do outro e é mesmo capaz de fazer compensações ao conhecer um pouco mais a história ou os acontecimentos recentes deste outro. No fundo, assumimos que as discrepâncias individuais não sejam tão acentuadas. Correto ou não, preciso ou não, é assim que fazemos. F…

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Psicologia filosófica é o estudo que tem por objeto a dimensão existencial da vivência filosófica, não se resume à fenomenologia, embora a incorpore, pois foca não apenas as vivências internas do sujeito, a partir da sua própria perspectiva, mas também os seus comportamentos, a partir de uma visão externa. Cabe aqui saber quais as implicações para a vida e o comportamento de um sujeito ao abraçar e incorporar determinadas idéias filosóficas.