Há um sentido de "Eu compreendo" que se remete não ao significado do que é dito, mas a uma experiência vivida que além de explicar o que é dito, tornando-o inteligível, aproxima também falante e ouvinte por um elo empático. Este elo não pode ser suprimido da compreensão sem perda de inteligibilidade. Não é à toa que presenciamos o surgimento de sentimentos gregários entre pessoas que passaram pelos mesmos sofrimentos. Elas podem dizer umas para as outras com maior autoridade "Eu compreendo". Se queremos compreender alguém, temos que tentar nos aproximar do seu vivido, temos que tentar assimilá-lo a nossa própria vivência.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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