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Hábitos de pensamento são esculpidos pela cultura?

Nisbett selecionou dois grupos de pessoas, um composto por americanos e outro por chineses. Ela apresenteu a esses dois grupos, simultaneamente, o resultado de duas pesquisas, ambas inventadas, mas este fato não era conhecido pelos indivíduos dos grupos: uma pesquisa afirmava que as pessoas que viveram mais que uma determinada idade tinham comido peixe e aves e uma segunda dizia que alimentar-se apenas de peixes e de aves era prejudicial.

Diante das duas pesquisas em tensão, os americanos tenderam a radicalizar a sua inclinação em favor de uma delas. Os que achavam que a primeira era correta, diante da oposição da segunda, inclinavam-se com mais intensidade ainda em favor da primeira e o mesmo ocorria com aqueles que se inclinaram em favor da segunda. Já os chineses tiverem, em geral, um comportamento bem diferenciado. A maioria deles disse que nem a primeira, nem a segunda pesquisa estariam completamente corretas, mas que a verdade estaria em um meio termo.

É interessante notar que ambas as pesquisas inventadas poderiam ser simultaneamente verdadeiras. Talvez as pessoas que viveram acima da idade X e comiam aves e peixes também faziam a ingestão de outras coisas que compensariam os malefícios da ingestão de aves e peixes. Penso que seria mais interessante se Nisbett tivesse apresentado resultados de pesquisas realmente contraditórias.

No plano moral, a radicalização diante da oposição pode estar ligada ao desejo de estar correto, vaidade.

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