O que poderia levar um sujeito a considerar a utilidade da vida um valor maior que a própria vida? O excesso de vaidade é uma possibilidade. A necessidade deste indivíduo de ser olhado e admirado é tão grande que ele só consegue imaginar como completamente miserável e sem sentido a vida de alguém que não é necessária ou almejada por mais ninguém. No entanto, alguém pode admirar a si mesmo, ainda que ninguém mais o admire e, assim, sentir-se necessário e útil para si mesmo. O ponto aqui a ser enfatizado é que o valor de um valor pode estar atrelado à uma necessidade ou demanda psicológica.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
Comentários