Existe um registro de escrita ou um gênero literário mais apropriado para a filosofia? Claro que uma resposta a esta questão pressupõe um entendimento prévio do que seja a própria filosofia. A questão, assim, é meta-filosófica. Antes eu pensava que a filosofia era uma atividade puramente conceitual e não-empírica, filosofar é aventurar-se em possibilidades conceituais, freqüentemente, em inusitadas possibilidades, quando há a criação de novos conceitos ou mesmo até de toda uma linguagem. O filósofo é alguém que anseia por uma compreensão cada vez mais ampla da sua experiência de mundo e a compreensão que ele erige é essencialmente mediada por conceitos. No entanto, entender a filosofia como uma atividade conceitual é bastante restritivo, ainda mais se tivermos em mente apenas os conceitos verbais. Primeiro por enjaular a filosofia no cárcere lógico próprio da estrutura conceitual, segundo por não refletir todas as possibilidades reais que temos para pensar a própria experiência do mundo. Embora seja bastante controverso, não pensamos apenas por ou através da linguagem. Também pensamos visualmente. Não à toa Cabrera vem defendendo o cinema como uma forma positiva de filosofar e não meramente como uma ilustração de teses filosóficas. As imagens cinematográficas, assim como o pensamento visual, captam e articulam elementos afetivos da nossa existência que não são acessíveis por conceitos meramente verbais ou o são de uma maneira empobrecida. Assim, se pensarmos a filosofia de uma maneira mais larga, como uma atividade de pensar sobre a existência e a experiência de mundo, englobando aqui qualquer tipo de pensamento compreensivo, que alargue o nosso horizonte, então não pode haver restrição estilística ou de gênero ao filosofar, muito menos podemos restringir a filosofia à linguagem escrita.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
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