Mesmo conceitos vazios ou quase-vazios servem para alguma coisa. Não falo obviamente do vazio da matemática que tem uma função muito bem definida na teoria dos conjuntos. Falo do 'Eu', conceito tão vazio quanto o zero à esquerda. Digo 'vazio' pela pouca ou mesmo nada de informação que ele carrega. Quando escutamos alguém dizer 'Eu fui ontem na praça do Expedicionário', ainda que o falante nos seja um completo desconhecido, identificamos a referência do 'Eu' como sendo a pessoa que profere a frase. Nada mais sabemos, nenhuma outra informação é obtida, podemos desconhecer o caráter desse sujeito por completo, ele pode ser para mim um completo desconhecido. O 'Eu', assim, me dá apenas a informação categorial de que a sua referência, identificada apenas no ato de proferimento, é um agente ou uma pessoa. Mesmo quando o 'Eu' é avaliado na perspectiva da primeira pessoa, mesmo quando eu uso o 'Eu' para falar algo de mim mesmo, ainda aqui...