Uma pessoa pode facilmente adquirir a competência para desenhar uma estrela de cinco pontas. No entanto, dificilmente esta pessoa conseguirá, sem o auxílio de régua e compasso, desenhar sucessivamente 10 estrelas idênticas. O sistema motor não tem esse grau elevado de efiência métrica. Este fato sugere também que talvez a representação mnemônica da estrela não tenha uma estrutura imagética. O que a pessoa retém são as relações topográficas. Se isto for verdade, então a lembrança de uma estrela não envolve apenas uma simples apresentação de uma imagem gravada; envolve sim a capacidade de imaginar, isto é, de construir uma imagem a partir das relações topográficas retidas. Lembrar é criar.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
Comentários
Isso me lembra um pouco Benjamin falando sobre a arte, quando uma pintura, por exemplo, passa a ser em série deixa de ser obra de arte, a obra de arte só é arte por ser única. Partindo disso, uma estrela perfeita e desenhada por várias vezes numa sequência tipo "cópia-perfeita"(supondo que fosse possível que todas viessem a ser milimetricamente iguais) todas as estrelas poderiam ser consideradas como obra de arte?
fica para reflexão,
beijos
sANdrA