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Qual a duração de uma experiência perceptiva? Uma coisa é certa: sua duração é menor que o tempo requerido para que uma representação possa servir de premissa em um argumento. Eu posso ver que o vermelho-51 é diferente do vermelho-52, mas instantes depois, se me mostrarem um vermelho-52, não sei dizer se se trata do primeiro ou do segundo vermelho vistos inicialmente. A representação perceptiva do vermelho dura apenas enquanto o objeto vermelho está diante dos meus sentidos. E a memória do vermelho não seria a confirmação de que esta representação pode durar mesmo quando o objeto está ausente? Não, a memória do vermelho é uma representação resultante de um módulo mental que tem por entrada a representação perceptiva. Prova disto é que uma memória jamais é tão rica em detalhes quanto uma percepção. Memorizar é abstrair.

Uma inferência demanda um conteúdo relativamente duradouro por duas razões: (i) para que o conteúdo da premissa se veja refletido no conteúdo da conclusão ele precisa perdurar durante a transição dos estados envolvidos em uma inferência. (ii) para que o sujeito apreenda p como inferida de q e não de r, este sujeito precisa manter q na sua memória de trabalho. Como a experiência é fugaz, não podemos entender o seu papel de justificação pelo modelo da inferência. O conteúdo da experiência perceptiva não pode ser a premissa de um argumento.

Mas é óbvio que o modelo da inferência não esgota os modelos de justificação.

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