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Blindsight ou visão-cega, por mais paradoxal que soe, nada mais é do que visão residual sem consciência. Explico-me, uma pessoa cuja área V1 do cérebro foi lesada perde a capacidade de ter experiências visuais em uma certa porção do seu campo visual, mas ela não perde a capacidade de ser sensível às informações que normalmente gerariam experiências nesta porção do campo. Isto significa minimamente que nem toda função visual depende da consciência visual. É possível "ver" sem ver. Os portadores de blidnsight não experimentam a sua lesão como um buraco negro em seu campo visual. É como se, da noite para o dia, a "janela visual" fosse diminuida de tamanho.

Prosopagnosia é a condição na qual o sujeito não é capaz de reconhecer faces, distinguir rostos familiares de estranhos. Esta falha já não é perceptiva, mas mnemônica, pois estas pessoas são ainda capazes de discriminar uma face da outra, notar suas diferenças. Estes casos servem para evidenciar que a capacidade de discriminar não envolve necessariamente a capacidade de reconhecer, ainda que uma de curto prazo. Pode-se dizer, então, que temos a capacidade de ficar consciente de X através de uma experiência visual sem ter a capacidade de representar X duradouramente, ou seja, sem ser capaz de codificar a representação perceptiva de X em uma representação que possa ser retida pela memória de curto ou longo prazo. A prosopagnosia talvez seja, então, a perda de uma mecanismo de transdução de representações.

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