Se assumo como dado aquilo que aparece diretamente à consciência, então proposições podem ser dadas. Algumas crenças são formadas sem um processo de reflexão ou inferência consciente, são automáticas, são formadas por mecanismos sub-pessoais. Pode-se dizer que a experiência traz à consciência uma determinada crença. Algumas memórias também são dadas. Elas simplesmente aparecem, embora outras possam ser evocadas por um processo que demanda concentração e atenção. Mas, ainda assim não seriam dadas, no momento em que surgem? Mas o essencial do dado não é ele simplesmente ser dado, mas ser dado com uma determinada força, é ele aparecer ao sujeito impondo o seu conteúdo. O sujeito não se sente confortável em questioná-lo. Isso elimina boa parte das memórias e a maiora das crenças. E uma experiência é sempre mais dada que qualquer crença.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
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