Escolher não é difícil em virtude de todas as conseqüências que se terá de arcar. Isso é fácil, pois geralmente temos como medir o peso das conseqüências e se seremos capazes de suportá-lo. Escolher é difícil por causa do peso inestimável de todos os seus EUs possíveis que você deixa definitiva e irremediavelmente para trás quando opta por apenas um deles. A escolha envolve sempre uma negação múltipla de si. Os nostálgicos sofrem mais para escolher.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
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