Quem é mais livre, aquele que se deixa levar pelas suas paixões ignorando os seus imperativos morais ou aquele que as enfrenta para seguir os ditames da razão? Os gritos de Nietzsche contra o espírito apolínio nos atordoa. Não é ele um grilhão, uma prisão para os impulsos criativos? Por outro lado, não é menos verdadeiro dizer que somos escravos das nossas emoções. O arrependimento ilustra bem isso. A sua força é proporcional à intensidade da paixão que causou a ação desditosa. Quem devemos libertar, a vontade ou a paixão? Essa tensão é a base da esquizofrenia humana.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
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