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Para a minha amiga que se surpreendeu com a idéia de que lógicos se deleitem com a poesia:

Ora, filósofos são criadores de possibilidades, lógicos são cientistas das possibilidades e os poetas são exploradores das possibilidades. Estas tarefas não são exclusivas, sendo assim, não é incomum ver um poeta lógico, um filósofo poeta, um lógico filósofo etc. O filósofo cria compulsivamente em virtude da sua vontade de abarcar o mundo. Às vezes, ele cria o que não pode ser criado. Cabe ao lógico, então, fazer uma faxina. Ele tem compulsão por limpeza. Verdade seja dita, o lógico também é muito criativo e engenhoso. Suas ferramentas usadas para limplar a sujeira deixada pelo filósofo são forjadas por ele mesmo. Mas de que adiantaria um mundo rico e limpo se não houvesse ninguém para explorá-lo? Então vem o poeta que aponta as belezas que o filósofo nem vê ao criar, que se diverte interagindo com as novas possibilidades. O poeta vive compulsivamente. Um precisa do outro. O filósofo carece do estímulo do poeta e da disciplina do lógico. O poeta carece das ruas batidas pelos filósofos e calçadas pelos lógicos. E o lógico precisa da matéria prima fornecida pelo filósofo e das imagens pintadas pelos poetas. Para não limpar demais, o lógico precisa dos mapas que os poetas vão criando.

Comentários

Leben disse…
As tarefas são preponderantes, mas não exclusivas. Como é delicioso, aqui, ser plural.

Os poetas criam mapas...

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