A esperança não é um comportamento natural como a dor, ela é construída culturalmente. Um bebê já nasce com a capacidade de manifestar a dor, mas não a esperança. No entanto, a expectativa já pode ser observada na mais tenra infância e servir de base para o comportamento mais complexo da esperança. A expectativa envolve a capacidade de representar algo que não existe ou um evento que ainda não ocorreu. A expectativa desperta espanto, surpresa ou frustração quando o evento imaginando não ocorre como esperado. Ter a capacidade de pensar o futuro é uma condição necessária para a expectativa, mas não é suficiente para ela. Pode-se pensar um evento futuro sem esperá-lo. Seria, então, a presença do desejo de que o evento futuro ocorra a condição suficiente? Não estou certo, pois parece perfeitamente possível esperar um evento sem desejar que ele ocorra. A partir do que li no jornal hoje, tenho a expectativa de que fará calor amanhã. Ficarei surpreso se não fizer. Mas não desejo isso. Talvez a condição suficiente seja a sensação de angústia que acompanha o pensamento do evento futuro. Não, embora essa sensação acompanhe alguns pensamentos de eventos futuros, ela não acompanha qualquer pensamento de eventos futuros. Ela parece acompanhar apenas aqueles eventos futuros cuja ocorrência seja importante para nós, isto é, aqueles eventos que desejamos que ocorra ou, ao contrário, que desejamos que não ocorra. Mas já disse que pode haver expectativa sem desejo. Se não há como reduzir a expectativa a um pensamento em um evento futuro mais uma sensação como o desejo e a angústia, então as chances de que a própria expectativa seja uma sensação básica aumenta. Esperar um evento seria, então, de maneira semelhante ao desejo, um modo básico de se relacionar com um estado de coisas futuro. Outra possibilidade é dizer que a expectativa é não o pensamento, mas simplesmente a crença na ocorrência de um evento futuro, o que harmoniza bem com o fato sugerido acima de que a expectativa pode não ser acompanhada pelo desejo ou pela angústia.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
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