Anedota filosófica. Platão estava ministrando a teoria das idéias para os seus discípulos e, ao exemplificá-la, aponta para um copo em cima da uma mesa próxima e diz que, embora possa haver inúmeros copos como aquele, há apenas uma única idéia de copo e a sua existência precede a dos copos particulares. Diógenes, neste momento, se levanta e caminha para a mesa, observa o copo e retruca dizendo que não vê nenhuma idéia de copo no copo. Platão responde que embora ele tenha olhos para ver copos particulares, Diógenes não tem intelecto para ver a idéia do copo. Diógenes, então, olha para dentro do copo e diz que ele está vazio. Depois ele pergunta a Platão de onde viria a idéia de vazio que precede o vazio do copo. Platão ficou a pensar, enquanto isso, Diógenes se aproximou, tocou na cabeça de Platão com o seu indicador e disse, "Eu acho que aqui você vai encontrar O vazio".
Voltei ao assunto da ética da crença (veja aqui a minha contribuição anterior 194 ) para escrever um texto que possivelmente será publicado como um verbete em um compêndio de epistemologia. Nesta entrada, decidi enfatizar três maneiras pelas quais a discussão sobre normas para crer se relaciona com a ética, algo que nem sempre fica claro neste debate: (1) normas morais servem de analogia para pensar normas para a crença, ainda que os domínios normativos, o epistêmico e o moral, sejam distintos; (2) razões morais são os fundamentos últimos para adotar uma norma para crer e (3) razões morais podem incidir diretamente sobre a legitimidade de uma crença, a crença (o ato de crer) não seria assim um fenômeno puramente epistêmico. O item (3) representa sem dúvida a maneira mais forte pela qual, neste debate, epistemologia e ética se entrelaçam. Sobre ele, abordei sobretudo o trabalho da Rima Basu que, a meu ver, é uma das contribuições recentes mais interessantes e inovadoras ao debate da ét...
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