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[106] Justificação

Se a justificação j para p não é infalível, isto é, se ela não é forte o suficiente para conectar necessariamente p àquilo que torna p verdadeiro, então toda a evidência disponível, excetuando j, é compatível tanto com p quanto com não-p. A possibilidade de que não-p seja o caso parece derrogar a justificação j, ou, pelo menos, a coloca sob suspeita, impedindo, assim, que j possa cumprir o papel de uma justificação básica, não-inferencial. Como j não implica não-não-p, j carece de reforço para implicar a falsidade de não-p, isto é, j carece de justificação ulterior.

Mas este argumento, se é que temos aí um argumento, assenta-se sobre a assunção de que a justificação j precisa implicar não-não-p para ter um papel positivo e não-dependente na justificação de p, o que não é óbvio. O papel positivo de j sobre p não pode ser eclipsado apenas pela possibilidade de não-p ou por não implicar não-não-p. Esse papel positivo é derrogado ou posto em dúvida apenas se houver outra justificação j2 para não-p. Aí sim tanto j quanto j2 deixam de cumprir o papel positivo por se anularem mutuamente. Na ausência de j2, j justifica p, mesmo não implicando não-não-p. Eis a justificação a primeira vista.

A dificuldade toda é saber quais tipos de justificação têm essa propriedade. Isto é, em alguns casos, parece ser necessário que j implique não-não-p para ter um papel positivo e não-dependente na justificação de p, em outros casos, não. É diferente se j é um estado perceptivo, uma memória ou uma crença.

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