Eu creio que há uma mesa no meio da minha sala, pois acabo de olhar para ela. Formei a crença. Por quanto tempo é razoável atribuir-me esta crença? Alguns minutos mais tarde, já na rua, cotinuo a acreditar que há uma mesa no meio da minha sala, sem estar em condições de vê-la neste instante e, ainda assim, estou justificado a ter e manter esta crença. Quais os critérios para atribuir a manutenção da crença? A resposta correta parece-me ser: depende do que se sabe sobre a constância do objeto da crença. No caso em questão, o objeto da crença é o lugar em que a mesa se encontra. Sabemos que uma mesa não muda de lugar sozinha e na ausência de qualquer razão contrária à sua permanência no lugar onde se encontra, estamos justificados a assumir que ela continua onde estava e, portanto, não emerge a necessidade de novas verificações. Na ausência desta necessidade, estamos licenciados a atribuir a permanência da crença. A situação é diferente, por exemplo, se o objeto da crença fosse a quantidade de água em um copo que está sendo enchido por uma torneira. Eu ver em t que 1/3 do copo está cheio não é suficiente para manter a crença em t' de que ainda apenas 1/3 do copo está cheio. Pelo que sabemos sobre copos sendo enchidos por água, não é razoável supor que não houve mudança entre t e t' no que diz respeito à quantidade de água no copo. Há aqui necessidade de novas verificações e, portanto, a crença atribuída em t não pode ser mantida em t'. Seu prazo de validade é muito curto. Em geral, então, o prazo de validade de uma crença depende do que sabemos sobre a constância do objeto da crença. Isso se aplica a objetos físicos e mentais. Uma dor de cabeça, como sabemos, leva um tempo para passar. Assim, se, em t, formo a crença de que estou com dor de cabeça, por estar atento a ela, pode-se atribuí-la a mim em t', mesmo que, em t', eu não esteja atento a dor de cabeça e, por estar muito concentrado em outras tarefas, eu não esteja nem mesmo ciente dela. Pelo fato de a dor de cabeça não ser muito volátil, a crença na dor de cabeça tem um prazo de validade mais lato.
Irracionalismo é a tese de que os nossos julgamentos são arbitrários. O irracionalismo pode aplicar-se apenas a um setor do conhecimento humano. Por exemplo, podemos ser irracionalistas morais. Assim, julgamentos morais sobre como agir, o que fazer, o que é certo e errado são arbitrários, não temos uma razão para eles, eles não se fundam em nada que possa legitimá-los diante dos outros. Podem ser fomentados por nossas emoções ou desejos, mas nada disso tira a sua arbitrariedade diante da razão. Chegaríamos ao irracionalismo moral se tivéssemos razões para pensar que não há nada na razão que pudesse amparar julgamentos morais. Isto é, dado um dilema moral do tipo "devo fazer X ou ~X", não há ao que apelar racionalmente para decidir a questão. Donde se seque que, qualquer decisão que você tomar, seja a favor de X, seja de ~X, será arbitrária. Como poderia a razão ser tão indiferente à moralidade? Primeiro vejamos o que conferiria autoridade racional a um julgamento moral, pois ...
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