Quando
respeitamos o intelecto dos outros e o nosso próprio, discutimos as
crenças dos outros e colocamos as nossas em discussão, é simples.
Pensar que respeitar a crença do outro (ou a sua própria) implica
em jamais discuti-la parece presumir que o "intelecto" não
tem qualquer interesse pela verdade ou talvez que a verdade seja
completamente uma função das suas crenças. Ambas as alternativas
não são muito plausíveis. Evidente que não somos apenas
intelecto, nem que a verdade seja o nosso único interesse. Não
temos de ser chatos conosco ou com os outros na discussão das
crenças. A discussão cabe em alguns lugares e em alguns momentos.
Nem tem de ser gratuita; acerca de alguns tópicos, pode ser que ela
demande motivação. As crenças apenas não estão absolutamente
imunes à discussão, como se tivéssemos com elas uma mera relação
de propriedade, “são minhas e ninguém tem nada a ver com isso”.
Não é bem assim se você tem alguma vida em comum e não é bem
assim se você tem algum interesse pela verdade objetiva. Por fim, o
que talvez alguém queira razoavelmente dizer ao afirmar: “respeite
a minha opinião” é: “respeite a finitude do meu intelecto,
dê-me tempo para pensar etc”. Por várias razões, a justa
resposta à discussão não tem de ser pronta e imediata. Não tem
mesmo.
Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.
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