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Um filme tem a capacidade de nos fazer imaginar e mesmo sentir, ainda que parcialmente, uma situação existencial possível. É por este motivo que filmes que condensam uma vida inteira, seja ela repleta de alegrias ou de tragédias, no espaço de uma ou duas horas são tão impactantes. Não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo. Mas sentimos e isso achochalha o nosso Eu.

Comentários

Leben disse…
Pijn.
Leben disse…
Pijn.

De woorden moeten nooit verwonden. Nooit gewonden. Ik voel pijn met zijn zo bovengenoemde woorden.

Waarom pijn?

U het verwondde me, zonder het het weten. Mijn, endess liefde. Neem zorg van u.

Pijn.
Leben disse…
Quem disse que não fomos projetados para sentir tanto em tão pouco tempo?

Não fomos, isso sim, convenientemente educados e fortalecidos para tanto. Isso posto, de base, é básico, preliminar!

Como pode: "sentir" "muito" "achocalhar" o EU?

Não sentir é que achocalha o pretenso EU.

Sim, pretenso, pois o EU nunca existirá, verdadeiramente, longe do sentir. E a plenitude do ser somente se dará apoiada na intensidade máxima desse sentir.

Sentir achocalha o EU?
Suas palavras são paradoxais e, de mútuo, excludentes, EROS.
awks disse…
Discordo. É como a luz, não fomos projetados para ver nem com pouca, nem com muita luz. Tanta a sua ausência quanto o seu excesso cegam. Se somos capazes de sentir em graus, então parece-me claro que seletivamente o ideal do quanto devemos sentir num determinado intervalo de tempo não pode ser o máximo que seríamos capazes de sentir, neste intervalo de tempo, sem perder a consciência. É energicamente inviável.

Não sentir também achocalha o EU, tanto quanto sentir demais.

Mas fica a questão se só podemos atingir a plenitude do ser sentindo com a intensidade máxima. Sim, provavelmente. Mas por quanto tempo alguém pode suportar isso sem, paradoxalmente, se perder justamente quando se encontra?
awks disse…
Melhor trocar o "quando se encontra" por "enquanto se encontra".
Leben disse…
Se perder, enquanto se encontra...

Se se dá um passo à frente, o passo anterior, mesmo construindo e fazendo parte do caminho, é o passo anterior.

Enquanto se encontra, o ser sempre avança, e um mínimo se queda para trás; um mínimo, pois a essência é o eixo ao qual se agrega o que surge e vem.
sANdrA fasolo disse…
Que tal um teste? Um teste de sentir.
Música: Everybody Hurts
(do R.E.M., lírica!)
Sugestão: luz de abajur, um cálice de licor de amêndoas, coloque no "repetir" e deite no chão ou num sofá macio & aí permaneça pelo tempo que conseguir "voar".

Sentiram alguma coisa?!
Ando numas de retorno às líricas,
Neil Young também é mágico para "sentir" o próprio sentir em meio a licores e meia_luz.

beijos,
sANdrA
awks disse…
Eu não consigo assistir Tarnation duas vezes seguidas. A não ser que eu feche as portas para não ver o que vejo e não sentir o que sinto. Mas se deixá-las abertas, vai entrar mais luz do que posso suportar.
awks disse…
Essa música eu tenho aqui, Sandra.
Leben disse…
Pode ser licor de chocolate?
Leben disse…
:)
Leben disse…
Não tem explicação...
sANdrA fasolo disse…
:) pode ser de chocolate sim,
mas o ideal é Absinto,
bem dosado...
para não tirar a percepção de espaço e tempo e outras mais.

Tens R.E.M aí, Eros? Então curtes líricas?
Leben disse…
Prezada Sandra e Prezado Eros...

“Intensa vida incensa.
A mesma foto, horas e horas a fio;
sempre uma outra visão...
Incensa vida intensa”.


Quase o mesmo texto das IMAGENS e uma nova leitura...


“Sim, Eros. Decerto: sensibilidade extrema não é o caminho certo para o desespero profundo, mas pode levar a ele. Isso está posto de modo inconteste.

Quando li essa sua "imagem", JONATHAN, senti como se houvessem falado com uma parte bem dolorosa de mim. Remoeram-se-me muitas lembranças onde as "emoções" foram "inadjetiváveis".
Por isso, uma das minhas primeiras reações foi Pijn (dor); e pensar e escrever em holandês foi, com certeza, um mecanismo de meu subconciente no sentido de colocar-me distante e imparcial do JONATHAN.

Todavia, isso é impossível. Ele viu a morte bem viva, não foi?
Então, talvez ele tenha, em algum momento, da própria vida, pensado e dito:

"Dor não. Força e paz, JONATHAN".
Posso parafraseá-lo?
"Dor não. Força e paz, Olga".

O que eu seria se as coisas não houvessem se dado de modo a que a minha vida fosse uma desesperada busca pela vida além de si?

Todos nós temos nossos limites e, dificilmente, muito dificilmente, vamos no sentido de superá-los além do nosso comodismo e conveniência.

É tão fácil amar o que é fácil amar; é tão fácil fazer o que é fácil fazer; é tão fácil falar o que é fácil dizer; é tão fácil pensar o que é fácil pensar.

Mas o ser humano é um atravessador e transpositor das aparentes facilidades do lugar comum; somente se esquece, totalmente, disso.

Sim, tentei suportar (e ainda tento) o que senti.
Muitas vezes não consegui (nem consigo) transformar tudo que sinto em criação e, na iminência de me ver sem mim, vejo as cores do desespero que aprendi a controlar e transformar em mais um degrau, para um outro dia. Desta maneira, não me perco de toda, e seguro a essência.
Sim, muitas e muitas vezes não consegui me fazer ouvir por meio da criação; as pessoas, na maioria das vezes, por uma imensa gama de fatores, consideram a vida, tão somente, como um assunto local.
As pessoas falam , mas andam mudas; podem ver, todavia não enxergam, nem se deixam enxergar.
A minha desesperadora solidão no meio delas levou-me a muito do que sou hoje; e a excessiva busca de mim mostrou-se, tão somente, completa em quem pode falar, dizer, agir e pensar, também, de modo diverso do que faço.
Eis aqui a chave para que eu não me magoe em demasia; preciso de muitos, muitos e muitos exercícios de contradição nos caminhos de construção do meu ser.

A minha essência e a do JONATHAN se tocam. Destarte, nele posso, também, ser menos sozinha, pois vejo uma parte dele em interação com uma parte de mim.

"Dor não. Força e paz, JONATHAN".
"Dor não. Força e paz, Olga".

Estar vivo(a) é um milagre.
Ser vivo(a) é um milagre maior ainda”.






O que será que o JONATHAN falaria, neste momento, para a Olga? Ela sabe o que diria a ele...

Ela diria para ele que todas as pessoas deviam ter condições de sentir até o próprio limite, para então suplantá-lo. Ninguém deveria ser obrigado a sentir; deveria ser convidado, conquistado.

"-Uma direção comporta dois sentidos, não é JONATHAN? Quiseram-nos num sentido, mas fomos no sentido oposto. Estamos acordados? Sabemos disso? Sim, sabemos. Sim, estamos acordados."



Será que JONATHAN dormiu em árvores, detestando altura? Talvez. E talvez tenha aprendido que, lá no alto, se está mais próximo às estrelas, sendo possível, então, mergulhar no Infinito.
Leben disse…
Sandra, Eros, Jonathan, Olga...

Sentir, sempre sentir.



ALTA NOITE - Marisa Monte

"Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia
Ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a manhãzinha, nem a madrugada
Nem a estrela-guia, nem a estrela d'alva
Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia
Ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a manhãzinha, nem a madrugada
Nem a estrela-guia, nem a estrela d'alva
Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia".
sANdrA disse…
Olga,
isso foi filosófico & filosófico & filosoficamente profundo; você:

"É tão fácil amar o que é fácil amar; é tão fácil fazer o que é fácil fazer; é tão fácil falar o que é fácil dizer; é tão fácil pensar o que é fácil pensar.

Mas o ser humano é um atravessador e transpositor das aparentes facilidades do lugar comum; somente se esquece, totalmente, disso."

Realmente isso leva a inúmeras outras reflexões e de-dentro de uma existência, então, vai ao infinito.

És-tu uma Filósofa & tanto! E não precisou da Academia para isso, eis uma prova de que mentes filosóficas não são "produzidas" dentro do sistema acadêmico.
Ser filósofo (a) acredito, ou está dentro de nós ou não está e se não está o modo-de-ser chega a ser em muitos uma lástima_existencial. Ah, mas não desejo retornar a essas críticas, só desejava, em analogia, dizer que fico mais que feliz por ver que sendo a filósofa que és, és por ti mesma.
abraço em alma,
sANdrA
Leben disse…
Sandra, obrigada.

Mais sou, em mim mesma, desde que a vida me agraciou com a honra de conhecer você e Eros.

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