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A filosofia de boteco, aquela feita sem muita preocupação acadêmica, através do livre pensar, ainda pode mudar a vida de uma pessoa, pode ter um efeito sobre o seu comportamento e até mesmo sobre a sua psicologia, despertando ou retendo emoções. Mas o que muda na vida de uma pessoa ao entrar numa discussão mais técnica sobre indexicais, a natureza conceitual da experiência perceptiva e outras coisas mais obstrusas? Muito pouco ou quase nada. Ou talvez mude, pode ser que aqui o correto fosse pensar que importa mais a filosofia estar adequada à linguagem a qual a pessoa está acostumada, que ela seja inteligível, e um perito em indexicais certamente vai incorporar cada nova informação sobre o assunto ao seu mundo e à sua práxis.

Comentários

Anônimo disse…
Será mesmo que os dois mundos propostos não podem estabelecer diálogo, e que cada sujeito incorpora apenas o que já de certa forma lhe compõe? Que a construção pode ser formatada e adequada?
Eros disse…
O diálogo entre os dois mundos parece demandar uma ponto comum, ainda que mínimo, a partir do qual a tradução é feita. Como o absolutamente novo poderia adentrar se for reconhecido pelo sujeito apenas como ruído?
Anônimo disse…
E do que os pequenos ruídos são capazes...o que podem despertar...o inesperado pode surpreender e ir além do que esperamos da compreensão alheia...
Eros disse…
Sim, os ruídos podem *causar* transformações, surpreender e até alargar o horizonte da compreensão pelo impacto causado, mas a tradução parece-me requerer um elo comum.
Anônimo disse…
Depende do que entendemos por tradução...se esta tiver como possibilidade única um conjunto de códigos previamente estabelecido, talvez. mas se compreendermos como possibilidade também o que o sentido proporciona, ou o novo, o inusitado, a reinvenção, a releitura, então, talvez haja criação...releitura...são outras interpretações...
Eros disse…
Sim, a tradução seria meramente o mapeamento de sentenças de uma linguagem em sentenças de uma outra. Contudo, pensando mais na interação entre "mundos" radicalmente diferentes, então aí o novo realmente tem um papel significativo no alargamento da compreensão. Podemos pensar assim: dois mundos radicalmente diferentes se cruzam. Inicialmente, um é ruído para o outro. Com o tempo, um vai imergindo no outro, os choques vão reconfigurando os sentidos, práticas de uns são mescladas com práticas dos outros, até que uns e outros se comunicam sem ruído. Nesse processo de confronto, cada qual incorporou e criou em sua linguagem novos conceitos, novas práticas lingüísticas, houve, assim, um alargamento da compreensão. Antes do choque, poderíamos dizer que eram mundos apenas relativamente incomensuráveis.

A linguagem, parafraseando lá o físico, é finita, porém sem fronteiras.
Anônimo disse…
E podemos ainda observar todas as outras linguagens que não possuem palavras...cógidos inteligiveis pela sensibilidade...
Eros disse…
Linguagens visuais, linguagens corpóreas, há muita informação trafegando por aí sem palavras.

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