Em virtude desta discussão com o Alexandre Machado , mudei algumas das minhas concepções sobre a relação da sensação de dor com a faculdade da atenção. A dor tem obviamente um conteúdo fenomênico que não lhe pode ser dissociado. Mesmo que identifiquemos no cérebro quais estruturas são responsáveis causalmente pela sensação da dor, não estabelecemos com isto uma redução. Isto é, sentir dor não significa que tais e tais estruturas cerebrais estão ativas. Que tenhamos dor quando estamos atentos à dor não há dúvida. Contudo, não é claro o que dizer sobre os casos em que desviamos a atenção da dor para uma outra atividade mental custosa qualquer, por exemplo, desarmar uma bomba. Diremos, neste caso, que o indivíduo ainda tem dor? Se sim, como ainda fazer justiça à intuição de que dor e sensação de dor estão intrinsecamente entrelaçados? Qual o papel da atenção, neste caso? Ela é constitutiva da dor? A situação não parece ser análoga ao episódio em que o indivíduo volta a sua atenção para um...